sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Os ombros sustentam o mundo

Suzana parou um instante no meio da rua, em meio a tanta escuridão e falou para si mesma:
___O que eu estou fazendo?
E embora caísse um temporal, o céu certamente não ganharia em metros cúbicos dos olhos daquela mulher.
E nem seria de se estranhar que o mesmo coração que acolheria um mundo inteiro, dado  grau da sua bondade, agora transbordaria com as torrentes de pranto vindas dos seus olhos.
Parecia impossível o que os seus olhos haviam visto. No meio da rua, debaixo de chuva forte e sob a débil luz da iluminação pública, Suzana, que já respirava com dificuldades, caiu de joelhos e prostrou suas esperanças no asfalto molhado.
Ofegante e sem forças, o que lhe restou foi chorar...
Chorar como uma criança. Com a mesma pureza da alma.
O mundo agora era um grão de areia e Suzana uma formiga que habitava este mesmo mundo.
Nada e nem ninguém poderia lhe ajudar.
Exceto...
O vento cruel e implacável, suave e invisível transformava pingos d´água em laminas afiadas que rasgavam sua pele. Mas Suzana, alheia a tudo, apenas chorava.
Um raio caiu distante, um relâmpago iluminou o mudo inteiro e um trovão rugiu como uma besta enfurecida.
Por alguns segundos pareceu ser o fim do mundo, mas...
...infelizmente não era.
Morrer seria pouco. Seria necessário morrer mil vezes para se estancar a dor da sua alma.
Outro raio caiu, entretanto nenhum relâmpago iluminou o céu, nenhum trovão bradou a fúria dos Deuses. Só o silêncio a rasgar a madrugada com seu monólogo ensurdecedor.
A chuva agora já diminuíra, a mesma luz débil parecia recolher forças em si mesma para iluminar a iniluminável escuridão do mundo.
Uma mão suave e quente apertou o ombro nu de Suzana.
Sua cabeça girou no eixo e seu corpo torceu numa espiral ascendente.
Seus olhos tremeram e sua boca sorriu...

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