sábado, 6 de junho de 2009

De volta a felicidade

Pensem na quantidade de pessoas que estão chorando por algo ou alguém neste momento. Pensem em quantos litros estão sendo derramados agora. Agora pensem quantas vezes você mesmo chorou e achou que inundaria o mundo com seu pranto. E se, num passe de mágica, todas as lágrimas do mundo fossem unidas num mesmo momento, num mesmo lugar, o que seria do mundo e de você também? Pra onde iríamos em meio a tanta água salgada? Como sobreviveríamos imersos em tanta tristeza? O que seria da pobre dona alegria que de tão contrariada iria se entristecer e morar numa casinha velha num ermo qualquer? Eu quero crer que os risos serão sempre maiores que a dor e que a eles se somarão as lágrimas de felicidade. Nos afogaremos em gargalhadas durante o trabalho e o esporro da nossa mãe. Seremos aqueles bobos de plantão que cutucarão as axilas dos sujeitos sérios para converte-los em bobos também. E a cada vez que tivermos que lavar as nossas almas com o pranto dos infelizes, vamos marcar uma vizitinha à casa da dona alegria.
Mas num futuro próximo, afinal a felicidade não teria sabor se não conhecesse-mos a tristeza.

Tenho vãos

Tenho medo que a luz se apague
Tenho medo que me faltem palavras
Tenho dito frases tristes
Tenho saudades do tempo
que era só fechar os olhos e acordar na cama

Tenho livros que não leio
Tenho começo e fim sem um meio
Tenho fé sem um Deus
Tenho um Deus, não os seus

Tenho risos mudos
Tenho mundos sem graça
Tenho dor da trapaça
Tenho olhos húmidos

Tenho vergonha sem revolta
Tenho ida sem volta
Tenho a alma alagada
Tenho um caminho que não leva a nada

Tenho tido sonhos em vão
Tenho vãos, Tenho vãos