terça-feira, 23 de março de 2010
Cê me pegou de jeito, assim de sopetão. Não tava preparado pra falar. De-repente as palavras me fogem como o diabo da cruz. E fica tudo estranho. Falar só por falar é meio sem nexo e dizer do fundo do coração demandaria tempo pra organizar os pensamentos. Mas tá bom, eu vou tentar e se parecer estranho você me para, não quero parecer ridículo nem chato, é que tem muito mais escondido por trás das palavras do que meros sentimentos. E afinal tudo isso esta dentro de mim mesmo, esperando uma hora para vir à tona. Deixa que eu cuide de tudo e tudo será como tem que ser, mesmo que leve tempo e canse os nossos ouvidos, mesmo que não saia tudo que eu quero dizer. Assim sendo, la vai eu...
Capítulo 1 - Desencontros
Parei pra comprar cigarros. Fazia muito tempo que não fazia isso, afinal já não fumava há dois anos.
Meti a mão no bolso, saquei uma nota de dez e me perguntei: porque isso agora?
Voltei os olhos para a vendedora. Desculpe, mas eu não fumo! Respondi quando ela pegou o cigarro. A vendedora achou graça, torceu a boca e baixou a cabeça voltando às suas contas. Tentei recobrar a sanidade. O que eu estava pensando mesmo? Não sei, se perdeu em algum lugar do vasto mundo particular que agora já não me pertencia mais. Era um lugar qualquer, em um tempo qualquer. Todos ao meu redor eram estranhos, inclusive eu.Todos menos um, a vendedora. Seus olhos me diziam algo, sua boca me era familiar e diante do meu esquecimento só pude concluir que estava enganado. Exatos cinco passos foram suficientes para me fazer lembrar. Eu a conhecia sim. Sim, ela era a mulher com quem eu iria me casar. Não fosse o fato dela não saber disso, tudo teria dado certo. Ou será que sabia, já não me lembrava mais. Minha cabeça de repente voltou a doer e também lembrei que ela doeu antes, mas não sabia porque. Um súbito mal estar me fez girar no eixo e cair na calçada. Quando recobrei a conciência estava sentado, a vendedora me segurando em seus braços. Seus olhos estavam úmidos e de sua boca saiu um triste "me desculpe". A dor aumentou e eu desmaiei de novo.
Meti a mão no bolso, saquei uma nota de dez e me perguntei: porque isso agora?
Voltei os olhos para a vendedora. Desculpe, mas eu não fumo! Respondi quando ela pegou o cigarro. A vendedora achou graça, torceu a boca e baixou a cabeça voltando às suas contas. Tentei recobrar a sanidade. O que eu estava pensando mesmo? Não sei, se perdeu em algum lugar do vasto mundo particular que agora já não me pertencia mais. Era um lugar qualquer, em um tempo qualquer. Todos ao meu redor eram estranhos, inclusive eu.Todos menos um, a vendedora. Seus olhos me diziam algo, sua boca me era familiar e diante do meu esquecimento só pude concluir que estava enganado. Exatos cinco passos foram suficientes para me fazer lembrar. Eu a conhecia sim. Sim, ela era a mulher com quem eu iria me casar. Não fosse o fato dela não saber disso, tudo teria dado certo. Ou será que sabia, já não me lembrava mais. Minha cabeça de repente voltou a doer e também lembrei que ela doeu antes, mas não sabia porque. Um súbito mal estar me fez girar no eixo e cair na calçada. Quando recobrei a conciência estava sentado, a vendedora me segurando em seus braços. Seus olhos estavam úmidos e de sua boca saiu um triste "me desculpe". A dor aumentou e eu desmaiei de novo.
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