ALTO
BEM
JOGUE
SE
INEVITÁVEL
É
QUEDA
A
SE
terça-feira, 23 de junho de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009
Náufrago
Lanço olhares aos estranhos na rua como um náufrago lança garrafas ao mar. Distante de acreditar que a maior distância que pode separar as pessoas é o amor, situo-me à deriva do censo comum. E, como uma nau desgovernada que é atirada para dentro do olho do furacão, me lanço na busca de ventos tranquilos que me levem a um porto seguro. Que me leve a crer no que sinto. O amor encurta as distâncias e trás à tona o melhor de nós.
Certo dia cansado da solidão que os bancos dos coletivos nos dão, aventurei-me atravessar o corredor para ter com aquela estranha, coisas que meu corpo ansiava. Fui desprovido de sonhos pré-vistos pelos mesmos olhos que esquadrinhavam todos os traços daquele adorável ser. Tão longa era a distância (apesar de serem simples centímetros) que nesse ínterim fui acometido de diversos sentimentos, alguns bons outros ruins. E se ela for casada - pensei - e se for uma mulher que não teve sorte na vida, por isso se tornou alguém áspera, fria e sem amor. Não, dessa vez eu não ficaria vendo a vida passar diante dos meus olhos. Fosse o que fosse, eu descobriria o seu nome . Pedi licença, mas ela nem respondeu. O frio voltou a correr pela espinha, ela era bonita demais e eu igualmente tímido, mas já era hora de por um fim a esse lance de solidão.
Não terei lembranças do não feito, não realizado. Já tinha frustrações demais pra lidar e como já dizia o poeta "O mundo é de quem o conquista e não de quem acha que pode fazê-lo. Me preparei psicologicamente, respirei fundo, fechei os olhos e...
Quando abri, percebi que ela olhava para mim.
__Tudo bem? - ela me perguntou. Meio sem jeito, respondi:
__S-Sim! - foi o que saiu da minha boca. Não era exatamente uma frase oportunista, dessas de função fática usadas para estabelecer contato, mas servia. Dai em diante a conversa que se seguiu pareceu ter sido lapidada por anjos, numa perfeita conjunção dos astros. Tudo fluiu tão bem que ao final de uma certa frase que eu nem me lembro qual (e sempre acontece assim ) sem avisar, sem mais nem menos um beijo rolou.
Depois que dei meu numero de telefone e ela se despediu, recostei-me então no banco e lembrei da distância percorrida, agora tão curta e banal, sem pressa de voltar à realidade adormeci...
Acordei no ponto final sentindo ainda seu gosto na boca e embora pudesse jurar que tudo fosse real, vivo ainda hoje na esperança que ela me ligue.
Se é mesmo o amor que separa as pessoas, então apagarei de vez a marca de S.O.S. na areia da minha vida para escrever em seu lugar:
Náufrago
Certo dia cansado da solidão que os bancos dos coletivos nos dão, aventurei-me atravessar o corredor para ter com aquela estranha, coisas que meu corpo ansiava. Fui desprovido de sonhos pré-vistos pelos mesmos olhos que esquadrinhavam todos os traços daquele adorável ser. Tão longa era a distância (apesar de serem simples centímetros) que nesse ínterim fui acometido de diversos sentimentos, alguns bons outros ruins. E se ela for casada - pensei - e se for uma mulher que não teve sorte na vida, por isso se tornou alguém áspera, fria e sem amor. Não, dessa vez eu não ficaria vendo a vida passar diante dos meus olhos. Fosse o que fosse, eu descobriria o seu nome . Pedi licença, mas ela nem respondeu. O frio voltou a correr pela espinha, ela era bonita demais e eu igualmente tímido, mas já era hora de por um fim a esse lance de solidão.
Não terei lembranças do não feito, não realizado. Já tinha frustrações demais pra lidar e como já dizia o poeta "O mundo é de quem o conquista e não de quem acha que pode fazê-lo. Me preparei psicologicamente, respirei fundo, fechei os olhos e...
Quando abri, percebi que ela olhava para mim.
__Tudo bem? - ela me perguntou. Meio sem jeito, respondi:
__S-Sim! - foi o que saiu da minha boca. Não era exatamente uma frase oportunista, dessas de função fática usadas para estabelecer contato, mas servia. Dai em diante a conversa que se seguiu pareceu ter sido lapidada por anjos, numa perfeita conjunção dos astros. Tudo fluiu tão bem que ao final de uma certa frase que eu nem me lembro qual (e sempre acontece assim ) sem avisar, sem mais nem menos um beijo rolou.
Depois que dei meu numero de telefone e ela se despediu, recostei-me então no banco e lembrei da distância percorrida, agora tão curta e banal, sem pressa de voltar à realidade adormeci...
Acordei no ponto final sentindo ainda seu gosto na boca e embora pudesse jurar que tudo fosse real, vivo ainda hoje na esperança que ela me ligue.
Se é mesmo o amor que separa as pessoas, então apagarei de vez a marca de S.O.S. na areia da minha vida para escrever em seu lugar:
Náufrago
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Quantas tempestades enfrentamos
antes de ver o arco-iris.
Quanta luz desperdiçamos até
entender-mos que era só abrir os olhos.
Quantas noites em claro esperamos
em vão, o nascer do sol.
Não sei...
Quando o mundo pára
e o filme de nossas vidas passa
no infinito de um momento.
Não sou feliz porque não sou eu
quem viveu esse momento.
Mas quando nasce o sol,
abro os olhos e vejo o arco-iris.
Então posso ver nosso filme
e entender que sou feliz
porque vivi.
antes de ver o arco-iris.
Quanta luz desperdiçamos até
entender-mos que era só abrir os olhos.
Quantas noites em claro esperamos
em vão, o nascer do sol.
Não sei...
Quando o mundo pára
e o filme de nossas vidas passa
no infinito de um momento.
Não sou feliz porque não sou eu
quem viveu esse momento.
Mas quando nasce o sol,
abro os olhos e vejo o arco-iris.
Então posso ver nosso filme
e entender que sou feliz
porque vivi.
domingo, 7 de junho de 2009
Tiro no pé
Eu preciso falar e não é pra chamar a atenção não, nem pra querer corrigir ou melhorar algo. Também não sou conformista. É só falar por falar. Acho mesmo que ninguém vai me ouvir. Com tantas vozes gritando de todos os lados, sedentos de tanta atenção, não se ouvem sequer sussurros ao pé do ouvido, não ouvimos nossas próprias vozes. Mesmo assim vou falar.
O homem é o predador natural de si mesmo, ele se degrada à medida que evolui (se é mesmo que podemos chamar sua trajetória de evolução) e as marcas estão por toda a parte. Naquilo que nos orgulhamos, é onde mais se torna evidente nossas fraquezas.
As grandes cidades são extremamente luminosas, mas não enxergamos nossa própria luz interior.
Os edifícios estão cada vez mais altos para contrastar coma nossa mediocridade.
Temos veículos mais velozes e no entanto não temos tempo de parar e repensar nosso caminho. Com alguns clicks viajamos o mundo inteiro e ainda sim continuamos estagnados diplomaticamente.
Nos aventuramos em viagens interplanetárias e não conhecemos a nós mesmos. Tiramos (ou tentamos tirar) vantagens em tudo, mas no fim, ou só nos restas as migalhas daquilo que poderíamos conseguir, ou nos tornamos vítimas dos nossos pecados e pagamos por isso.
E por ai vamos nós roubando, matando, pilhando, oprimindo, escravizando, humilhando e inferiorizando todo aquele que é mais fraco do que nós. chegamos ao ponto de nós unirmos para derrotar os que são mais forte. Tudo por ganancia. Maldito é o ser humano que não tem limites e só se preocupa com si mesmo. Para onde vamos quando a luz se apagar e não enxergar-mos mais o caminho pra casa? Por isso eu falo aos desatentos, escuto os excluídos e grito, bem forte do alto da minha pequeneza para não ser esmagado pela mediocridade humana e a nossa própria também.
Diga-se (só) de passagem.
O homem é o predador natural de si mesmo, ele se degrada à medida que evolui (se é mesmo que podemos chamar sua trajetória de evolução) e as marcas estão por toda a parte. Naquilo que nos orgulhamos, é onde mais se torna evidente nossas fraquezas.
As grandes cidades são extremamente luminosas, mas não enxergamos nossa própria luz interior.
Os edifícios estão cada vez mais altos para contrastar coma nossa mediocridade.
Temos veículos mais velozes e no entanto não temos tempo de parar e repensar nosso caminho. Com alguns clicks viajamos o mundo inteiro e ainda sim continuamos estagnados diplomaticamente.
Nos aventuramos em viagens interplanetárias e não conhecemos a nós mesmos. Tiramos (ou tentamos tirar) vantagens em tudo, mas no fim, ou só nos restas as migalhas daquilo que poderíamos conseguir, ou nos tornamos vítimas dos nossos pecados e pagamos por isso.
E por ai vamos nós roubando, matando, pilhando, oprimindo, escravizando, humilhando e inferiorizando todo aquele que é mais fraco do que nós. chegamos ao ponto de nós unirmos para derrotar os que são mais forte. Tudo por ganancia. Maldito é o ser humano que não tem limites e só se preocupa com si mesmo. Para onde vamos quando a luz se apagar e não enxergar-mos mais o caminho pra casa? Por isso eu falo aos desatentos, escuto os excluídos e grito, bem forte do alto da minha pequeneza para não ser esmagado pela mediocridade humana e a nossa própria também.
Diga-se (só) de passagem.
sábado, 6 de junho de 2009
De volta a felicidade
Pensem na quantidade de pessoas que estão chorando por algo ou alguém neste momento. Pensem em quantos litros estão sendo derramados agora. Agora pensem quantas vezes você mesmo chorou e achou que inundaria o mundo com seu pranto. E se, num passe de mágica, todas as lágrimas do mundo fossem unidas num mesmo momento, num mesmo lugar, o que seria do mundo e de você também? Pra onde iríamos em meio a tanta água salgada? Como sobreviveríamos imersos em tanta tristeza? O que seria da pobre dona alegria que de tão contrariada iria se entristecer e morar numa casinha velha num ermo qualquer? Eu quero crer que os risos serão sempre maiores que a dor e que a eles se somarão as lágrimas de felicidade. Nos afogaremos em gargalhadas durante o trabalho e o esporro da nossa mãe. Seremos aqueles bobos de plantão que cutucarão as axilas dos sujeitos sérios para converte-los em bobos também. E a cada vez que tivermos que lavar as nossas almas com o pranto dos infelizes, vamos marcar uma vizitinha à casa da dona alegria.
Mas num futuro próximo, afinal a felicidade não teria sabor se não conhecesse-mos a tristeza.
Mas num futuro próximo, afinal a felicidade não teria sabor se não conhecesse-mos a tristeza.
Tenho vãos
Tenho medo que a luz se apague
Tenho medo que me faltem palavras
Tenho dito frases tristes
Tenho saudades do tempo
que era só fechar os olhos e acordar na cama
Tenho livros que não leio
Tenho começo e fim sem um meio
Tenho fé sem um Deus
Tenho um Deus, não os seus
Tenho risos mudos
Tenho mundos sem graça
Tenho dor da trapaça
Tenho olhos húmidos
Tenho vergonha sem revolta
Tenho ida sem volta
Tenho a alma alagada
Tenho um caminho que não leva a nada
Tenho tido sonhos em vão
Tenho vãos, Tenho vãos
Tenho medo que me faltem palavras
Tenho dito frases tristes
Tenho saudades do tempo
que era só fechar os olhos e acordar na cama
Tenho livros que não leio
Tenho começo e fim sem um meio
Tenho fé sem um Deus
Tenho um Deus, não os seus
Tenho risos mudos
Tenho mundos sem graça
Tenho dor da trapaça
Tenho olhos húmidos
Tenho vergonha sem revolta
Tenho ida sem volta
Tenho a alma alagada
Tenho um caminho que não leva a nada
Tenho tido sonhos em vão
Tenho vãos, Tenho vãos
quinta-feira, 4 de junho de 2009
O rio que por trilhas corre em mim
Uma vez eu fui um rio e como todo rio nasci pequeno e franzino por entre as pedras corria pra lá e pra cá pequeno rio menino minha origem como todo rio que se preza era levemente desconhecida parecia ter brotado eu da terra acharam mesmo que não ia vingar mas mamãe terra também tinha os seus desejos que eu não conseguia compreender quando despertei pra vida quis correr sem destino mas parei numa fenda de pedra e pela primeira vez senti que podia ser maior e não só menino estranho sentimento foi apenas um ensaio igual a esse vieram muitos vieram também dias de seca dias de chão duro e rachado de sol a sol passei por caminhos tortuosos tristes trilhas de desencontros meu coração na curva dum rio e assim fui crescendo sempre buscando algo maior sem saber que vontade era destino sem entender que embora pequeno eu já era enorme enorme menino as vezes me barravam ou me consumiam aos litros ou me matavam aos poucos mas a vida segue sempre como o curso dum rio e eu corria para aonde não sabia onde longa estrada cortada por afluentes amigos parentes pedras eu vi de monte e moldei-as aos montes vi também descaso comigo as mulheres que lavavam os homens que nadavam meninos as vezes era grande e voltava a diminuir meu caminho se erguia e voltava a ruir e voltava e voltava e voltava e foi assim sozinho ou muito bem acompanhado a gravidade a me puxar para o infinito foi assim com chuva ou céu bonito até que um dia eu cheguei cansado e fatigado tão diferente de quando parti mas pronto pra beber desse infinito cheguei forte e crescido homem ao mar não mais um menino cheguei ao meu destino.
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