quinta-feira, 4 de junho de 2009

O rio que por trilhas corre em mim

Uma vez eu fui um rio e como todo rio nasci pequeno e franzino por entre as pedras corria pra lá e pra cá pequeno rio menino minha origem como todo rio que se preza era levemente desconhecida parecia ter brotado eu da terra acharam mesmo que não ia vingar mas mamãe terra também tinha os seus desejos que eu não conseguia compreender quando despertei pra vida quis correr sem destino mas parei numa fenda de pedra e pela primeira vez senti que podia ser maior e não só menino estranho sentimento foi apenas um ensaio igual a esse vieram muitos vieram também dias de seca dias de chão duro e rachado de sol a sol passei por caminhos tortuosos tristes trilhas de desencontros meu coração na curva dum rio e assim fui crescendo sempre buscando algo maior sem saber que vontade era destino sem entender que embora pequeno eu já era enorme enorme menino as vezes me barravam ou me consumiam aos litros ou me matavam aos poucos mas a vida segue sempre como o curso dum rio e eu corria para aonde não sabia onde longa estrada cortada por afluentes amigos parentes pedras eu vi de monte e moldei-as aos montes vi também descaso comigo as mulheres que lavavam os homens que nadavam meninos as vezes era grande e voltava a diminuir meu caminho se erguia e voltava a ruir e voltava e voltava e voltava e foi assim sozinho ou muito bem acompanhado a gravidade a me puxar para o infinito foi assim com chuva ou céu bonito até que um dia eu cheguei cansado e fatigado tão diferente de quando parti mas pronto pra beber desse infinito cheguei forte e crescido homem ao mar não mais um menino cheguei ao meu destino.