sexta-feira, 24 de julho de 2009

Esses nobres vagabundos

Esses nobres vagabundos com que desnecessária graça eles compõem as cidades e seus cenários. Não que nos encante ou apeteça olhar suas geometrias desprovidas de luxo transgredindo as lógicas da estética e da moda. Mas quem realmente liga para a moda? Quem liga para Christian Dior? Quem teria coragem de criticar seu peculiar gosto de combinar peças de roupa que não combinam com nada (afinal foram doadas ou achadas), com a cor das calçadas, das marquises ou pontes empoeiradas? Quem lhes daria sequer uma escova de cabelos ou pente para melhorar sua aparência? As vezes eu invejo sua paz de espírito, mas peço que não me achem maluco! Pois explico! Quando se é mendigo não se tem preocupação com o a bolsa de valores, ou com o risco de ataque terrorista, não se tem ler, toc, chiliques ou outras doenças da vida moderna, de quem trabalha duro de sol a sol. É bem verdade que eles tem outras doenças e como doenças são igualmente ruins, mas me incomoda o fato de nos alimentarmos e nos cuidarmos bem mais e ainda sim prostrarmos doentes. As vezes eu penso que todos nós somos um pouco mendigos. De vez em quando nos isolamos, ou nos vestimos mal a beça, ou comemos mal, ou nos tornamos invisíveis, ou sei lá. Por vezes somos também pedintes e não importa o valor, se pedimos nos comparamos a eles. Com a diferença que eles pedem apenas o que precisam. Pedimos aparentes, pedimos a amigos, pedimos a estranhos, pedimos a Deus e assim vamos, sem a nobreza da sua simplicidade, achando que estamos acima dos pedintes urbanos. Sem perceber ou aceitar a nossa própria mendicância. Sem enxergar a nossa semelhança. Esses nobres vagabundos, que vagam perdidos pelo mundo, que são humilhados e assassinados pela mão, pela intolerância,, mesquinhice e ganância humana. Pelas mesmas mãos que dirigem carros importados e carregam relógios caros. Nossa mediocridade não deixará jamais nos aproximar-mos de sua nobreza. Por vezes eu penso que Deus dorme debaixo das marquises e vagueia entre esses nossos irmãos e pede esmolas no farol e se desvia do nosso caminho baixando a cabeça para que não sintamos medo deles. Certa vez, tive a impressão que neguei um trocado a Deus e dentro da minha pequeneza pensei que simples moedas virariam cachaça pra eles. Eu disse para mim mesmo:
 ___Não darei nem um trocado, pois eles tomarão tudo de pinga. Talvez me pese na alma que tenha negado um trocado a Deus e impedisse que Ele pudesse suportar a fome, o frio da madrugada e a dor da solidão e da exclusão. Me sinto desprovido de geometria alguma, transgredindo às lógicas de Deus. Me sinto vagabundo, mas sem a nobreza do seu caráter. me sinto mendigo. Pobre mendigo, pobre de mim...

sábado, 18 de julho de 2009

Dentro de mim

Passei só pra dizer adeus,
Não vou mais te importunar.
Já era hora de te ver crescer,
e o tempo vai nos fazer acostumar.


Os dias com certeza irão durar,
só assim seremos fortes, ce vai ver.
A distancia é necessária pra sarar,
sozinho é mais fácil sobreviver.


Quando penso em você,
eu não quero desistir.
Mas eu luto pra esquecer,
esquecer de ti.


Não vou correr atrás das borboletas, não
vou plantar mais flores em meu jardim.
Quem sabe assim eu encontre outra paixão,
e tire você de dentro de mim.

“Trem dos sonhos”

Talvez eu espere mesmo pelo “trem dos sonhos” ou um milagre que vai me salvar.
Talvez eu feche os olhos para o que eu realmente deveria ser e fique à margem da realização, à espera de carona. Talvez o tiro tenha sido no pé e esse “talvez” que eu use tanto seja por medo da realidade nua e crua. Vai ver que era só fraqueza (e para ser franco, mudei a desculpa sem mudar o discurso). Eu sei que a resposta estava em mim o tempo todo, e realmente eu protelava e assim diminuía as minhas chances. Preguiça, dificuldade ou covardia, a verdade é que eu era capaz e botava a culpa na falta de grana, na minha solidão, ou qualquer outro problema que quase ninguém se importa. Felizmente, quase ninguém. Mas a noite vai e um dia novo em folha virá (mesmo que eu não queira) com novas chances de provar que eu não era tão incapaz assim. O que fica é um vazio no peito que me enche de culpa e raiva. Ah, eu quero me socar, pois voltar no tempo não dá. Era só não ser leviano comigo mesmo e eu estaria todo cheio de mim, dando pulinhos e vibrando como todos ao meu redor. Era só ter se esforçado e eu não estaria escrevendo estas frases tolas. Só existem situações e condições, não oportunidades.
Essas, a gente cria ou lapida de dentro dos problemas. Esperar pelo "trem dos sonhos" é como ver as pedras crescerem, é como iniciar um viagem sem nunca sair do lugar, física ou mentalmente. Os sonhos esperam por nós em algum lugar no meio da estrada. O que me faz pensar em caminhar mais vezes.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sobre a terra

Os homens são como ilhas,
presos aos seus mundos como parvos
palmos de terra, distantes da humanidade.

Os homens são como folhas,
caem ao sabor do vento e são levados
para qualquer direção.

Os homens são como concreto,
presos à realidades físicas impostas
por sua condição e dever.

Mas os homens também são como rios
que fluem moldando seu caminho
sobre a terra.

E adubam as próximas gerações,
para que novas árvores cresçam e
se alimentem de seu legado sobre a terra.

E também racham,
para que novas edificações sejam construídas
no lugar das velhas...

Sobre a terra.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Tudo que desce tem que subir.

A verdade é que nos julgamos muito fortes, daí vem uma farpa no dedo e choramos que nem bebê. Nos achamos pacientes, mas uma simples pedra no sapato nos tira do sério. Pensamos ser capazes de amar e cuidar de alguém e esquecemos de nós mesmos e/ou acabamos por magoar a todos. A verdade é que crescemos e sentimos falta daquela alegria inocente, casamos e sentimos falta do colo de mãe, vivemos para morrer, sem se preocupar em realmente viver, como numa estrada sem retorno. A verdade é que somos barquinhos de papel sem motor nem velas nesse mundão de mar, perdidos. Tudo que desce tem que subir. Assim como não é possível estar feliz o tempo todo, também é impossível estar infeliz o tempo todo. E enquanto minha embarcação não se desfazer na água, vou remar pra perto de Deus, pra perto de quem eu amo.
Vamos remar juntos?