terça-feira, 19 de maio de 2009

Pobre Paulista

Pobre Paulista, tão só dentro do seu mundinho de I-pod´s e celulares com blue-tooth que tocam musiquinhas. Ele ocupa os bancos que estão vazios (quando há bancos vazios) nos ônibus para não ter que conversar com ninguém. Ele acha que os ônibus não precisam de acentos para duas pessoas. É normal um paulista ser solitário, portanto, é normal fingir que não viu um conhecido, ou trocar de calçada, ou evitar aquele "mala", simplesmente olhando para o vazio e torcendo para não ser visto.
Paulista é o bicho mais estranho que eu conheço, vive correndo para fazer suas coisas, mas está sempre prezo no transito ou parado numa fila.
Pobres paisagens tristes, compostas apenas de transeuntes. Tão incidentais quanto fúteis.
Amigos em potencial? Jamais! Amigo é dinheiro no bolso. E assim vão todos eles e nós também, passantes solitários.
Aqui, parece que até os passarinhos são solitários. Cantam para ganhar o grão de cada dia e voltam
exaustos para suas casas, onde sentem vontade de não ir de vez em quando, pois sabem que suas esposas-passarinhas ainda não chegaram do trabalho e que quando chegarem elas também estarão cansadas e estressadas. E eles pensarão que seria melhor nem cantar para não ter que trabalhar.
A cidade “é” e não “está” cada vez mais cinza. Cinza, porque as pessoas estão cinza, o amor está cinza e tudo é banal e ordinário como um ônibus cheio de gente, numa avenida cheia de ônibus, por todos os cantos da cidade, cheia de corações vazios, distantes e solitários.
Oh Pobre Paulista, ouça o canto dos passarinhos e as frases dos seus amigos para que ambos voltem para casa, para suas esposas-passarinhas e não queiram mais sentir-se sós nos bancos dos ônibus, ouvindo seus I-pod´s ou celulares que tocam musiquinhas.
Não sejam assim tão solitários!

Considerações acerca da minha pessoa

Eu nasci Cícero Vicente de Andrade, mas desde cedo virei Renato, apelido dado pela minha mãe quando criança. Sou o quinto filho de oito irmãos. Tenho 34 anos dos quais passei 33 em São Paulo, sou casado pai de duas filhas (gêmeas). Moro em Osasco - São Paulo. Comecei a trabalhar muito cedo, aos 12 anos. Eu gosto de música, teatro, cinema, esportes, pessoas e de ler livros, mas meu passa tempo favorito ainda é brincar com minhas filhas. Estudei o primário com todas as dificuldades de um aluno comum, tropecei por vezes em alguns anos até que terminei com um supletivo. O ensino médio não foi diferente, inciei depois parei e acabei ficando anos sem terminar esta etapa. Nesse meio tempo, em 2000, entrei para um grupo de teatro através de um projeto chamado teatro vocacional e permaneci durante quatro anos. Eu posso dizer que o meu crescimento como ser humano foi exponencial, experimentei situações que nenhum outro tipo de curso de formação me daria, despertei sentidos que nem sabia que existiam e abri minha mente para outras expectativas e realidades. Se eu sou alguém melhor hoje é porque o teatro me deu esta condição. Durante este curso iniciei um curso de inglês paralelamente e estudei durante 4 anos também. Depois de três anos de curso fui fortemente influenciado por um de meus irmãos a dar aulas particulares de inglês para alguns amigos seus, permaneci dando aulas durante um ano para eles e também para uma sobrinha de 11 anos. Nessa época despertou em mim o prazer de dar aula, de ensinar e aprender. Foi lá pelo fim de 2004 quando eu estava para sair do curso de teatro que decidi terminar os estudos. Voltei a estudar fazendo supletivo e ai surgiu uma vontade de iniciar uma faculdade, ainda não sabia do que. Terminei os estudos, casei, me tornei pai, me separei, voltei para minha mulher e durante este processo descobri qual era minha verdadeira vocação. Hoje estou no curso de letras da FMU e sei que, apesar de todas as dificuldades da profissão eu quero ser professor.

(sem título)

Quero crer que existam jardins,
embora eu só veja concreto armado.
E os dias sejam azuis,
além dos céus nublados.

Para além da mesquinhice humana,
vai haver uma mão a te erguer.
E pássaros que entoam poesias,
apesar da urbana gritaria.

Quero bons e maus momentos,
para alegrar ou educar.
Quero simples sentimentos.

E se Deus assim quiser,
serei fonte da sabedoria,
serei simples como a noite e o dia