Pobre Paulista, tão só dentro do seu mundinho de I-pod´s e celulares com blue-tooth que tocam musiquinhas. Ele ocupa os bancos que estão vazios (quando há bancos vazios) nos ônibus para não ter que conversar com ninguém. Ele acha que os ônibus não precisam de acentos para duas pessoas. É normal um paulista ser solitário, portanto, é normal fingir que não viu um conhecido, ou trocar de calçada, ou evitar aquele "mala", simplesmente olhando para o vazio e torcendo para não ser visto.
Paulista é o bicho mais estranho que eu conheço, vive correndo para fazer suas coisas, mas está sempre prezo no transito ou parado numa fila.
Pobres paisagens tristes, compostas apenas de transeuntes. Tão incidentais quanto fúteis.
Amigos em potencial? Jamais! Amigo é dinheiro no bolso. E assim vão todos eles e nós também, passantes solitários.
Aqui, parece que até os passarinhos são solitários. Cantam para ganhar o grão de cada dia e voltam
exaustos para suas casas, onde sentem vontade de não ir de vez em quando, pois sabem que suas esposas-passarinhas ainda não chegaram do trabalho e que quando chegarem elas também estarão cansadas e estressadas. E eles pensarão que seria melhor nem cantar para não ter que trabalhar.
A cidade “é” e não “está” cada vez mais cinza. Cinza, porque as pessoas estão cinza, o amor está cinza e tudo é banal e ordinário como um ônibus cheio de gente, numa avenida cheia de ônibus, por todos os cantos da cidade, cheia de corações vazios, distantes e solitários.
Oh Pobre Paulista, ouça o canto dos passarinhos e as frases dos seus amigos para que ambos voltem para casa, para suas esposas-passarinhas e não queiram mais sentir-se sós nos bancos dos ônibus, ouvindo seus I-pod´s ou celulares que tocam musiquinhas.
Não sejam assim tão solitários!
terça-feira, 19 de maio de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
É impressionante como se nota a realidade neste texto, todos os dias vivenciamos isto, pessoas mais voltadas para si, voltadas para seus mundinhos e suas tecnologias, mais fechadas para o próximo, menos dispostas a ouvir e a falar, infelizmente a vida é assim.
Postar um comentário