segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Gerânios distantes

Aviso aos navegantes:
Esta não é uma mensagem de esperança e de fé, nem o relato de um miserável.
É a história de dois corações. Comuns e infelizmente cotidianos como qualquer um, como vc e eu.


A lágrima correu pelo rosto abatido seguindo a trilha já exposta anteriormente por outra.
Juntas então caíram sobre o vestido estampado escolhido a dedo para uma ocasião de sorrisos. Ironicamente não eram lágrimas de felicidade que apareciam no rosto de ambos.
E o bar com suas mesas e cadeiras, flores e enfeites, não tinha agora a mesma graça de antes.
Este mesmo bar viu tórridas cenas de amor e demonstrações, das mais sinceras, de carinho e paixão num passado não muito distante.
Passado mal criado que nasceu presente, criou-se futuro e agora que morto e enterrado, tornou-se esquecido.
Tantas flores padeceram para que se ouvissem suspiros, tantas promessas faleceram depois de proferidas, tantos "eu te amo " nesta lápide sem epitáfio.
Tanto vazio a preencher um diálogo mudo.
O mundo por sua vez segue cantando, sorrindo e falando alto na pessoa dos presentes.
O presente tão incerto como os dias em São Paulo, esconde no falso azul do firmamento nuvens carregadas de úmidos sentimentos.


Fim...

Fatídico fim, que chega como prerrogativa dos desígnios divinos e nos coloca no olho do furacão.
Era o epicentro da turbulência quando os olhos buscavam o vazio.
Esses mesmos olhos que antes não se permitiam perder de vista, buscam agora no guardanapo em baixo do copo de agua ou no canteiro de gerânios da jardineira externa, uma fuga para seus tormentos.
O silêncio, embora fundamental nessas horas, ajudou ainda mais a deixar o clima tenso.
O coração quer falar, mas a razão, como um carrasco impiedoso põe fim a qualquer tentativa.
As palavras que ficam soltas na mente, estão prezas na boca.
Dos dois lados um coração partido, massacrado e apaixonado olha o futuro sem abrir os olhos, sem enxergar além da ponta do seu nariz o escuro da alma.
Por onde começar a escalada?
Como dar meia volta na vida, enganar o passado e recolher os cacos do que restou para seguir adiante?
Não há resposta.
Por enquanto só há o vácuo do momento a te engolir como uma nebulosa escura e fria.
Não! Não se vive neste mundo de dor atemporal.
Não finda o dia nem tarda a noite.
Há apenas dois e não mais um.
Há apenas dor e gerânios distantes.

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